Pesquisa do IBGE revela desigualdades regionais em saúde e comportamento de adolescentes
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 25 de março de 2026 às 11:00 | Atualizado há 4 meses
Levantamento ouviu mais de 118 mil estudantes e analisou hábitos e comportamentos em todo o país | Foto: Fernando Frazao/AgenciaBrasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta quarta-feira (25) os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, que traça um panorama sobre hábitos e condições de vida de estudantes brasileiros, abordando temas como alimentação, consumo de álcool e drogas, saúde sexual e mental e prática de atividade física.
Considerado o principal inquérito nacional sobre o tema, o estudo reúne informações relevantes sobre fatores de risco e proteção entre adolescentes. Segundo os pesquisadores, comportamentos adotados nessa fase tendem a persistir ao longo da vida, impactando diretamente a qualidade de vida na fase adulta.
O levantamento ouviu mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos, matriculados em escolas públicas e privadas de 1.282 cidades em todo o país, ao longo de 2024. Os dados foram coletados por meio de questionários sigilosos, com perguntas sobre comportamento e saúde.

Na análise por estados, a pesquisa aponta que a região Norte concentra os maiores índices de vulnerabilidade relacionados à sexualidade. Nesses estados, há maior proporção de adolescentes que afirmaram já ter tido relações sexuais e também de jovens que relataram já terem sido ameaçados, intimidados ou forçados a atos sexuais contra a própria vontade.
O Amazonas lidera nesses dois indicadores, com 40,6% dos estudantes afirmando já ter tido relações sexuais e 14% relatando algum tipo de coerção. O Amapá também se destaca, ocupando posições elevadas em ambos os quesitos.
Esses dois estados também apresentam altos índices de problemas de saúde mental. O Amapá lidera, seguido pelo Amazonas, tanto nos relatos de vontade de se machucar quanto na sensação de solidão entre os estudantes.
Em relação à segurança escolar, o Amazonas aparece novamente em destaque: 17,7% dos alunos disseram ter faltado às aulas por se sentirem inseguros no ambiente escolar nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Logo atrás está o Rio de Janeiro, com 17,6%. No estado, a rotina de confrontos armados e operações policiais frequentemente impacta o funcionamento de escolas e comércios em diversas regiões.
Já no consumo de drogas ilícitas, o Distrito Federal lidera, com 12,2% dos estudantes afirmando já ter experimentado substâncias ilegais. Em seguida aparecem o Rio Grande do Sul (11,4%) e o Espírito Santo (10,5%).
(Claudinei Queiroz/Folhapress)